A parte que você não conhece sobre a história da Torre Eiffel

15/04/2016.Letícia.0 Likes.0 Comments
Home/Temas parisieníssimos/Encante-se/A parte que você não conhece sobre a história da Torre Eiffel

E é claro que ela estaria aqui, na estreia do Parisieníssima.

A Torre Eiffel – nossa dama de ferro favorita – muito mais do que o símbolo de Paris, tornou-se o maior ícone de identidade da França.

Alguns fatos que você à essa altura provavelmente já sabe (ou não) sobre ela:

• Construída na ocasião da Exposição Universal de 1889 e do centenário da Revolução Francesa, foi prevista para ficar temporariamente na cidade e seria demolida apos um período de 20 anos.

• Em julho de 1887, no início de sua construção, um grupo de cerca de 300 artistas, escritores e arquitetos chegaram a realizar uma petição afim de impedir a continuidade das obras da “torre ridícula”, que estragaria a estética da cidade, destoando da beleza e elegância de Paris – o que chega a ser engraçado hoje, pois é tanto charme que ela esbanja, que sempre falo que ela parece piscar para mim, a cada vez que a olho.

• Após todo o sucesso que teve nas Exposições Universais de 1889 e 1900, o que finalmente salvou a torre foi sua utilidade para comunicações militares, inclusive durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

• Sua altura é de 324 metros e é atualmente o monumento pago mais visitado do mundo – cerca de 7 milhões de pessoas por ano acessam seus três níveis.

Mas não é exatamente sobre ela que queremos falar, e sim sobre quem a construiu (no sentido braçal da coisa), longe de ter sido seu projetista Gustave Eiffel.

Você já ouviu falar dos “Compagnons du Tour de France” ou do conceito de “Compagnonnage”?

Traduzindo para o português, teríamos algo como “Camaradas do circuito da França” ou conceito de “Camaradagem”.

Os Compagnons nada mais são do que uma espécie de associação ou sociedade que teve início na Idade Média, em meados do século 13, na época da construção das catedrais mais importantes. Essas sociedades reuniam os principais artesões dos ofícios relacionados à pedra, à madeira, ao metal e ao fogo, que tinham como obrigação viajar para diversas cidades e canteiros de obras diferentes para exercerem suas funções e transmitirem conhecimento. E isto deu origem ao conceito de Compagnonnage, que visa a transmissão do conhecimento ou “know-how” de mestre para aprendiz, de geração em geração, em clima de ajuda mútua e companheirismo. Além da Torre Eiffel, foram eles que construíram a Catedral de Notre-Dame (entre outras centenas) e outros diversos castelos espalhados pela França, por exemplo.

Pouco conhecido mesmo pelos franceses, o sistema de Compagnonnage foi listado pela UNESCO em 2010 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O interessante é ver que mesmo após terem passado por um declínio durante a Revolução Industrial no século 19 (substituição de trabalhos manuais por maquinas), essas sociedades continuam a existir ainda hoje e o conceito bem vivo e modernizado, dividindo tradição e tecnologia. Elas atuam promovendo a conservação do trabalho que seja belo, de alta-qualidade e com técnicas de ponta – por isso ainda são chamados de artesões – se dedicando a formar jovens, oferecendo treinamento e a possibilidade de realizarem um circuito por toda a França, desenvolvendo seu ofício. Abrangem hoje também funções ligadas à gastronomia (padaria / confeitaria), à carne (açougue), aos têxteis, ao couro e etc.

Eu nunca tinha escutado falar, até agosto do ano passado quando minha irmã esteve aqui e durante uma conversa com o padeiro nosso vizinho – que também faz parte de uma dessas sociedades – ele nos recomendou conhecer a sede dos “Compagnons Charpentiers des Devoirs du Tour de France” ou “Camaradas Carpinteiros do Dever do Circuito da França”, devido ao interesse da irmã em arquitetura.

E é claro que fomos conferir! Chegando lá, a sede que fica atras do restaurante “Aux Arts et Sciences Réunis” (Às Artes e Ciências reunidas), possui uma sala anexa que conserva as principais obras-primas – chamadas “obras-primas monumentais” – realizadas pelos seus mais renomados carpinteiros no século 19. Além disso, na sala também pudemos ver livros de registros, esquemas e plantas, homenagens e fotos de marcos históricos dos “compagnons charpentiers” – como vocês podem ver nas fotos.

Mas o que os carpinteiros (madeira) tem a ver com a Torre Eiffel (ferro), afinal?

Como precisavam de mão-de-obra para a construção da torre a tempo para a Exposição Universal de 1889, foi necessário mobilizar sociedades de outros oficios, além dos ferreiros.

Os carpinteiros – que possuíam expertise estrutural – renderam-se ao chamado de Gustave Eiffel para a torre e por isso, posteriormente realizaram essas obras-primas em madeira (em formato de torres, de 5-7m de altura) expostas em sua sede, para se redimirem à sociedade e à profissão, por terem trabalhado com o ferro. Algumas delas também foram expostas na Exposição Universal de 1900.

Para quem quiser saber mais a respeito:

Société des Compagnons Charpentiers des Devoirs du Tour de France (em francês)

Endereço do restaurante Aux Arts et Sciences Réunis – também sede da sociedade dos carpinteiros onde você pode solicitar uma visita à sala-museu:

161, avenue Jean Jaurès – 75019 Metro: Ourcq (linha 5)
Contato: info@compagnons-charpentiers.fr

Add comment

© 2016 Parisieníssima - Todos os direitos reservados.