Conheça agora o mais inusitado dos prédios de Paris!

03/02/2017.Letícia.1 Like.0 Comments
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Quem vem à Paris pela primeira vez, logo se impressiona pela curiosas entradas de metrô de estilo art-nouveau, assinadas pelo arquiteto Hector Guimard na inaguração da primeira linha em 1900.
Mas para quem pensa que ele foi o único arquiteto excêntrico a deixar marcas dessa estética na paisagem de Paris, ficará sem palavras ao dar de cara com o edifício número 29 da Avenue Rapp, também conhecido como Edifício Lavirotte.

Projetado pelo arquiteto Jules Lavirotte (1864-1929), este prédio de 7 andares construído em 1901 é provavelmente o exemplo mais extremo da loucura pela ornamentação e do simbolismo da art-nouveau, existente hoje em Paris. Não é à tôa que Lavirotte é o meu arquiteto favorito do estilo e quem acompanha o blog, sabe que sou completamente fascinada por esta corrente artística.

Sua fachada exuberante foi vencedora do concurso de fachadas de Paris em 1901, sendo inscrita como ‘monumento histórico da França’ e do ‘patrimônio do século 20’ em 1964.

Pouco se sabe sobre a reação das pessoas na época, mas essa fachada imaginativa, fantasiosa e repleta de símbolos – muitos deles eróticos – não deixava e ainda não deixa ninguém indiferente.
Totalmente assimétrica, esbanja seus detalhes em cerâmica feitos por Alexandre Bigot – ceramista muito famoso do período – com formas orgânicas e muitas tonalidades de cores.

E como tudo na art-nouveau, cada elemento tem um significado. Logo de cara nos adornos da porta, observamos uma representação de Eva (à esquerda), que expõe orgulhosamente suas curvas, enquanto Adão (à direita) demonstra dificuldades em esconder sua virilidade. A figura central com pele de animal em volta do pescoço, supõe-se ser uma representação da esposa do próprio Jules Lavirotte.

Há ainda cabeças de touro abaixo da sacada do terceiro andar, representando ainda a força masculina; insetos (escaravelhos) nas janelas laterais do primeiro andar, que simbolizariam a figura de um alter ego ou ainda uma alusão sexual feminina; além da presença de um lagarto em todos os puxadores de porta, desde a porta principal de entrada, até as portas dos apartamentos no interior do prédio.

Sabe-se que a palavra lézard – lagarto em francês – era uma gíria usada na época para o órgão sexual masculino. Aliás, repare bem no desenho escandaloso (e fálico) da porta principal e a partir de agora, nunca mais verá esta fachada da mesma maneira.

E agora, ficou curioso(a) para saber como é o interior do prédio?

Com um pouco de sorte, consegui visitá-lo e fazer estas fotos em primeira-mão, para te mostrar o quão exótica e singular também é sua decoração interior, original da época e completamente alinhada ao simbolismo da fachada.

A primeira impressão ao olhar a escada, envolvente com suas linhas curvas é: Uau! Como isso pode ser tão surpreendente?

Os símbolos fálicos – em madeira – continuam nas laterais da escada, em todos os andares.
As cores dos vitrais nas janelas deixam uma iluminação leve, em perfeita harmonia com as cores quentes da pintura vegetal na parede e do tapete mostarda, que deixa a escada ainda mais imponente.

Quando chegamos no sexto e último andar, a vista que se tem da escada também dá margem para a imaginação, ja que tudo é simbolismo por ali.

É uma pena que não encontrei mais o último anúncio de um apartamento à venda neste prédio de 2013. Mas me lembro que era uma superfície entre 150-200m2 e foi anunciado entre 3.5-4 milhões de euros.

Pois é, não será nesta vida que morarei em um apartamento de Jules Lavirotte para ter essa vista da minha janela!

Gostou de explorar Paris mais um pouco com a gente e conhecer o Edifício Lavirotte?

Deixe-nos um comentário! 😉

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