Dos tempos em que o necrotério fazia parte do roteiro turístico de Paris

01/06/2016.Letícia.0 Likes.0 Comments
Home/Temas parisieníssimos/Descubra/Dos tempos em que o necrotério fazia parte do roteiro turístico de Paris

Oi? Isso mesmo que você leu! O necrotério de Paris já foi um ponto muito badalado da cidade, chegando a receber cerca de 40 mil pessoas por dia – o mesmo número de visitantes que a Catedral de Notre Dame recebe atualmente – no período em que funcionou, entre 1864 e 1907.

A Morgue de Paris era uma espécie de atração macabra, que proporcionava entretenimento dia e noite aos parisienses e aos turistas que por ali passavam. Localizada logo atrás da Catedral de Notre Dame na Ile de la Cité, seu objetivo a princípio não era atrair turismo, mas sim auxílio à polícia para a identificação de corpos encontrados pela cidade – vítimas de crime ou suicidas – muitos deles achados no rio Sena. O interessante é que o sistema funcionava, pois cerca de 75% dos corpos eram identificados em até 3 dias.

Assim como uma exposição gratuita, os corpos ficavam à mostra em mesas de mármore preto inclinadas, geralmente nus e com seus percentes pendurados logo ao lado. Separados do público por um vidro, ficavam ali por alguns dias recebendo um jato de água fria que ajudava a preservá-los da decomposição. Um verdadeiro teatro mórbido, no qual até as crianças curiosas se divertiam (ou não).

Engraçado que até os guias turísticos da época indicavam o local como um “must-do” e era um dos pontos favoritos principalmente dos turistas ingleses, entre eles, o escritor Charles Dickens (“Oliver Twist” e “Um Conto de Natal” são duas de suas obras mais famosas). Émilie Zola também cita o necrotério em seu livro “Thérèse Raquin”, quando fala que o próprio assassino do marido de Thérèse visitava a Morgue todos os dias, para checar se seu corpo havia sido encontrado.

Vejam so a página de um desses guias de Paris com a dica – The Diamond Guide for the Stranger in Paris, de 1867:

Em 1907, o local foi finalmente fechado por um decreto do prefeito da cidade, alegando razões de moral e higiene. Os jornais sensacionalistas da época reclamaram, pois assim perdiam os recursos visuais de suas matérias e narrações sobre os crimes da cidade.

Hoje, no mesmo local – Quai de l’Archevêché, há o Mémorial dos Mártires da Deportação, uma homenagem aos judeus franceses deportados durante a Segunda Guerra Mundial.

Fico pensando se todos esses casais ainda deixariam seus cadeados do amor na Ponte de l’Archevêché se soubessem dessa história… Lembre-se disso quando caminhar por ali!

  • Mémorial dos Mártires da DeportaçãoLocalização do antigo necrotério – La Morge de Paris – já não existente
    Quai de l’Archevêché – 75004 Paris
    Metrô: Cité (linha 4), Maubert – Mutualité (linha 10) ou Pont Marie (linha 7)

Add comment

© 2016 Parisieníssima - Todos os direitos reservados.