Os Incríveis e as Maravilhosas – os ditadores da Moda no final da Revolução Francesa

29/01/2017.Letícia.0 Likes.0 Comments
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Durante os últimos anos da Revolução Francesa (1789-1799), entre a queda de Robespierre (1794) e a coroação de Napoleão Bonaparte (1804) como imperador, a França viveu dois regimes conhecidos como Diretório e Consulado, relembrados hoje muito mais pelas formas elegantes e refinadas de um estilo, do que por fatos históricos propriamente ditos.

Alguns dizem que o período foi apenas o teatro para a ascensão fugaz de Bonaparte, que logo dominaria a Europa quase inteira, demonstrando poder absoluto.

E neste cenário pós Período do Terror (fase da guilhotina) em Paris, com uma sociedade renovada, seus novos ricos, comerciantes e especuladores, e uma sede pela vida e pelos prazeres; a futilidade e o luxo se manifestam através do vestuário da então chamada “juventude dourada”, marcada pela cultura da dança e da gastronomia crescente.

Inspirados pelo estilo da aristocracia britânica, mas com muito mais excentricidade e extravagância, os homens e mulheres da aristocracia e da alta-burguesia que propagaram essa nova moda eram chamados de “Os Incríveis e as Maravilhosas”, em francês “Les Incroyables et les Merveilleuses”, pois usavam essas palavras constantemente em seus discursos.

Fazia parte da linguagem deles até excluir a letra “R” das palavras, traumatizados pelo termo revolução, pronunciando como “Me’veilleuse” e “Inc’oyable”. Também inspirados pela língua inglesa, na qual a pronúncia do “R” soava mais leve aos ouvidos.

Boa parte dos Incroyables tinha origem nos Muscadins, uma gangue dândi e anti-jacobinos de Paris, que chegou a ter uma relevância politica por um curto período e tinha também como membros, homens da classe-média ou emergente.

O ponto de encontro usual eram alguns cafés da cidade, onde se reuníam para discutir suas posições políticas, criticarem e influenciarem.

O estilo masculino contava com muitas peças listradas e de cores vivas, lapelas exageradas nos casacos e fraques, golas e lenços cobrindo todo o pescoço, chapéu alto normalmente amassado, botas de cavalgar ou ainda sapatos de bico bem fino.

O cabelo era comprido, cobrindo as orelhas ou chegando à altura dos ombros. Muitos ainda carregavam uma espécie de bengala/bastão (gourdin) em espiral, que chamavam de “poder executivo”.

Já o estilo feminino era marcado pela simplicidade e pela leveza, inspirado no gosto pela Antiguidade e pela vestimenta greco-romana.

As mulheres abadonam o corpete e as armações de seus vestidos pelo vestido império que marca logo abaixo do busto, optando pela silhueta vertical, por peças drapeadas e confeccionadas com tecidos leves e fluídos. O uso de sandálias rasteiras é bastante comum, bem como o uso de apenas uma pequena bolsa como acessório, para compensar a falta de bolsos. O cabelo era preso sempre com tranças ou um coque mais solto.

O branco estava em alta, assim como a transparência e os decotes exagerados que chocavam a sociedade da época. No auge da loucura das francesas por imitar as roupas da Antiguidade, houve mulheres saindo às ruas de Paris com vestidos molhados para que ficassem mais transparentes e colados no corpo, como se fossem estátuas gregas. E devido a isso, registrou-se no período um aumento nos casos de morte por pneumonia.

Josefina Bonaparte, Theresa Tallien e Juliette Récamier são consideradas as grandes rainhas das Merveilleuses, que desfilavam suas peças exclusivas feitas com os tecidos mais nobres pelos salões da elite aristocrata da época. Eram as divas do momento e inspiravam centenas de mulheres que tentavam copiar seus vestidos e looks.

Conhecida como a imperatriz do bom gosto, Josefina era obcecada por moda e gastou muito mais com suas extravagâncias logo no início do império, do que sua antecessora – a Rainha Maria Antonieta – havia gasto em todo o reinado de Luís XVI. Napoleão Bonaparte chegou a proibir que as mulheres repetissem vestidos em ocasiões especiais.

Outro fato interessante é que a própria difusão da moda foi iniciada no mesmo período, com o Journal des Dames et des Modes fundado em 1797, que logo se tornava referência em toda a Europa.

A imprensa de moda conquistava definitivamente a burguesia francesa e chegava para ficar em Paris!

E agora uma curiosidade para encerrar o post…

Vocês já ouviram falar da famosa pâtisserie Aux Merveilleux de Fred?

Eles oferecem doces individuais e bolos que são feitos somente a base de merengue, chantilly e chocolate.

Idealizados pelo chef pâtissier Frédéric Vaucamps e com 7 lojas em Paris, a marca, o logotipo e os nomes dos doces fazem referência aos Incroyables e as Merveilleuses, que vocês acabam de conhecer mais um pouco.

Não deixem de provar esta maravilha quando estiverem em Paris! São deliciosos!

Gostou do post e de ler mais sobre este capítulo da História de Paris?

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