Restaurantes para degustar a art-nouveau em Paris – Parte I

24/07/2016.Letícia.0 Likes.0 Comments
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Paris, a capital da gastronomia e dos melhores restaurantes do mundo, como muitos dizem.

Eu, que não sou especialista do ramo, mas adoooro comer bem, te convido em uma sequência especial de posts a conhecer alguns restaurantes da cidade que além do menu, me atraem por sua história, lendas, tradição e seu principal elemento de identidade: a decoração art-nouveau – movimento artístico pelo qual sou completamente fascinada (talvez vocês já tenham percebido isso), tão característico da belle époque e da Paris dos anos 1900. Mas falaremos mais sobre ele em um post exclusivo em breve!

Preparados para voltar no tempo e vivenciar o melhor do charme da cidade-luz?
Vejam minhas primeiras 4 dicas de restaurantes que alimentarão – principalmente – o seu olhar!

4. Brasserie Mollard

Inaugurado em 1867 pelo casal Mollard, que havia recém-chegado da região da Saboia à Paris, era um estabelecimento simples. Ele fazia entregas de carvão pela cidade, enquanto ela servia vinho, cerveja e absinto no balcão do bar.

Com uma localização excelente em frente à Gare Saint-Lazare – primeira estação ferroviária de Paris (desde 1837) – o local era bem frequentado. Mas foi apenas 30 anos depois, por volta de 1895, que o casal consegue empreender e transformar o lugar no restaurante mais bonito e luxuoso da cidade, com uma decoração única e moderna assinada pelo arquiteto Édouard-Jean Niermans. Ele, que também foi responsável pelos projetos do Hotel Negresco em Nice, do Hotel de Paris em Monte-Carlo, do Café Angelina em Paris e nada mais, nada menos que do cabaré Moulin Rouge, outro ícone da cidade.

Repleta de mosaicos vindo da Itália, a ideia da decoração era retratar a vida cotidiana em torno da estação Saint-Lazare e os destinos que seus trens atendiam na época como: Deauville, Saint-Germain-en-Laye e Ville-d’Avray. Além de conter muitas flores e insetos, forte referência do estilo art-nouveau, no qual a natureza, as formas e linhas orgânicas predominam.

O local entrou para a lista de Monumentos Históricos franceses em 1989.

O que servem?

Cardápio típico das brasseries parisienses, você encontrará aqui os pratos mais tradicionais da cozinha francesa: steak tartare, entrecôte, confit de canard e muitos frutos-do-mar.

Preço médio: 35 euros para o menu completo: entrada + prato + sobremesa – sem bebidas.
Como de praxe, há também a possibilidade de escolhar um único prato separadamente.

3. Brasserie Vagenende

Quem passa na frente da Brasserie Vagenende (nome pouco francês), caminhando pela Boulevard Saint-Germain, nem imagina que o interior do restaurante é classificado como Monumento Histórico desde 1983.

Parte de uma rede de “bouillons” – os chamados restaurantes de caldos e pratos tradicionais a preços acessíveis do final do século 19 – na época chamada Bouillon Chartier, foi inaugurado em 1902 pelos irmãos Frédéric e Camille Chartier, que no período de 1896 a 1906 abriram outros 4 estabelecimentos com o mesmo conceito de serviço pela cidade, além de suas decorações todas típicas do estilo art-nouveau.

Os espelhos de molduras entalhadas, a pintura do teto de vidro ao centro dos salões, os ganchos de bronze ornamentados que servem como porta-casaco (eu quero!), espalhados por todo o restaurante; são apenas alguns dos detalhes que podemos observar avidamente enquanto aguardamos pelo prato, ou o deliciamos.

O que servem?

Cardápio também típico de brasserie parisiense como o primeiro – com pratos mais tradicionais da cozinha francesa.

Preço médio: 32 euros para o menu completo: entrada + prato + sobremesa – sem bebidas.
Como de praxe, há também a possibilidade de escolhar um único prato separadamente.

2. La Fermette Marbeuf

Agora levando a conversa para um outro nível – Este sim é um lugar que fará saltar os seus olhos de imediato! Apreciador ou não do estilo art-nouveau, o La Fermette Marbeuf não deixa nenhuma pessoa indiferente.

Projetado em 1889 pelo arquiteto Emile Hurtré e o pintor Jules Wielhorski – pouco conhecidos atualmente, o restaurante era a sala de jantar do até então Hôtel Langham, com acesso pela Rue Boccador. Permaneceu esquecida durante décadas, voltando a brilhar em 1978.

E é so entrar nesta sala principal – um tanto intimista – para atravessar um portal diretamente para o final do século 19 , eu prometo! Olhe para cima e se encante com o teto vitral, olhe para os lados e se encante com as pinturas em cerâmica e os espelhos envelhecidos, além de suas cores doces e leves, com a predominância do verde e do dourado. Não seria novidade dizer que ela também foi listada como Monumento Histórico desde 1983.

Acredite, o seu jantar (ou almoço) será extremamante agradável, seja lá qual for o prato escolhido…E a companhia!

O que servem?

Uma gastronomia francesa mais fina, com opções variadas de carnes e peixes como prato principal.

Preço médio: 51 euros para o menu completo: entrada + prato + sobremesa – sem bebidas.
Como de praxe, há também a possibilidade de escolhar um único prato separadamente – que variam entre 25 e 45 euros.

1. Maxim’s

Uma lenda, um mito, uma jóia de Paris! Definitivamente, o restaurante que possui mais história (e anedotas) na cidade, além de ter sido sempre o mais bem frequentado. Leia-se: frequentado por mortais célebres – artistas, políticos e intelectuais.

Bom, nem sempre! Interessante saber que tudo começou com uma sorveteria familiar italiana em 1880, que logo deu lugar a um simples bistrô, inagurado por um ex-garçom de café em 1893 – Maxime Gallard. Bastou uma comediante famosa da época – Irma de Montigny – visitar o local após assistir à uma corrida hípica badalada, que o caminho do Maxim’s para a fama estava traçado.

Contando com uma clientela cada vez mais elegante, aqueles 5% da Paris da belle époque, foi em 1900 – às vésperas da Exposição Universal na cidade – que os artistas mais em alta da Escola de Nancy renovam a decoração do restaurante, o tornando uma verdadeira vitrine do que a art-nouveau tinha de melhor.

Teto vitral, afrescos nos muros, ornamentos em bronze e cobre por toda parte, folhagens, carpetes de estampa vegetal, cores quentes, espelhos, muitos espelhos! É tanto ornamento, que o olhar precisa de um certo tempo para absorver e processar todas as mensagens e referências ali presentes. E claro, o local foi classificado como Monumento Histórico em 1979, 2 anos antes de ser vendido ao atual proprietário: Pierre Cardin.

Ah! E como não citar a forte relação das cortesãs mais famosas da belle époque à fama do lugar?
Os jantares no Maxim’s eram verdadeiros desfiles de jóias e vestidos luxuosos, ou deveríamos chamar de: competições. Haviam até “salas do amor” no andar superior do restaurante, para que os aristocratas tivessem um pouco mais de privacidade com as “cocottes” de Paris.

Toulouse-Lautrec, Marcel Proust, Cocteau, Aristóteles Onassis e Maria Callas, Marlène Dietrich, Brigitte Bardot, Lady Gaga (e mais uma lista imensa), foram algumas das celebridades a frequentarem o local ao longo das décadas. Era aqui que Santos Dumont encontrava seus amigos durante sua temporada em Paris, como o joalheiro Louis Cartier e o engenheiro Gustave Eiffel – pai da Torre Eiffel.

O que servem?

O “crème de la crème” ou o mais requintado da gastronomia francesa. Oferece desde pratos revisitados, com preparações mais caprichadas, a pratos com caviar e trufas de acompanhamento.

Preço médio: 290 euros para um jantar gastronômico – com vinho incluso: 2 entradas + 2 pratos + queijos + sobremesa. O preço dos pratos principais separadamente variam entre 70 e 140 euros.

+ Info útil:

  • Brasserie Mollard
    115 Rue Saint-Lazare – 75008 Paris
    Metrô: Gare Saint-Lazare (linhas 3, 12, 13 e 14) ou St. Augustin (linha 9)
    Aberto das 12h às 0h30 – todos os dias.

 

  • Brasserie Vagenende
    142 Boulevard Saint-Germain – 75006 Paris
    Metrô: Mabillon (linha 10) ou Odéon (linhas 4 e 10)
    Aberto das 12h às 0h – todos os dias.

 

  • La Fermette Marbeuf
    5 Rue Marbeuf – 75008 Paris
    Metrô: Alma-Marceau (linha 9) ou George V (linha 1)
    Aberto das 12h às 15h e das 19h às 23h30 – todos os dias.

 

  • Maxim’s
    3 Rue Royale – 75008 Paris
    Metrô: Concorde (linhas 1 , 8 e 12) ou Madeleine (linhas 8, 12 e 14)
    Aberto das 19h30 às 22h45 – de terça-feira a sábado.

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